Projetos vêm e vão, mas os gestores continuam

Os processos pelos quais passa um gestor são caminhos íngremes na largada, mas inevitáveis de serem percorridos. Refiro-me aos desafios de implantação, integração da equipe, os momentos de tomada de decisão que serão os maiores componentes geradores de ansiedade e insegurança, por melhor que o gestor esteja preparado. Assim como em um cenário hollywoodiano, os melhores filmes são concluídos, apreciados pelo público e os atores, ora,  terão novos roteiros a desempenhar. Dificuldades, glamour de lançamento, expectativa do diretor e a opinião dos críticos serão águas passadas, mas também serão experiências colecionadas. E em relação aos projetos realizados, estes farão parte do portifólio de cases. Em uma empresa, os projetos são finalizados e os seus gestores serão os atores de um novo roteiro, muito em breve. Tal transitoriedade deve ser levada em conta, sem, é claro, tornar o desafio menos importante do que ele é. O gestor tem de tornar clara, para si e para sua equipe, qual será  a sua postura frente ao desenvolvimento e quais são seus objetivos em relação ao resultado esperado para o projeto.

A simplicidade é a melhor maneira de analisar um projeto em sua fase inicial. Os projetos são, muitas vezes, turbulentos, repletos de conflitos e de desafios que nem sempre são bem trabalhados pelos seus gestores. Atrasos, gastos adicionais, escassez de recursos humanos, mudanças no escopo, riscos que ameaçam atingir o resultado do projeto, problemas de comunicação para todos os lados, fornecedores pouco comprometidos com o objetivo do projeto, são algumas das situações a serem enfrentadas. As diferenças estarão na forma e na medida que as dificuldades se apresentarão para o gestor.

Assim, o gestor de projetos deve se preparar para lidar com tais situações. Por um lado, isto exigirá deste profissional o desenvolvimento de conhecimentos técnicos mais aprofundados para planejar,  integrar e administrar as atividades, com os famosos prazos, especificações e  gastos nos projeto. Os recursos,  riscos, contratos com terceiros e a comunicação sempre estarão encravados no escopo do projeto. Saber mapear tais componentes demandará uma postura adequada do profissional. Esta postura deve privilegiar sua liderança frente ao time e a possibilidade de construir uma liderança junto aos membros da equipe. Esta visão estratégica vai facilitar relacionamentos interpessoais para uma melhor comunicação e para as negociações e solução de conflitos ao longo do desenvolvimento do projeto. A partir desta postura, o gestor passa a atuar como integrador de especialistas na busca de soluções para os problemas que virão com o projeto, além de ser elemento que inspire e motive as pessoas a trabalharem em equipe.

A  tenacidade das técnicas é a arma mais poderosa para a análise e desenvolvimento do projeto, mas a suavidade na adoção de estilos de liderança, adequada à situação e as pessoas com ela envolvidas, será recurso imperativo. Outro preceito valioso é o de uma postura disponível para aprender sempre. Este profissional que tem como maiores recursos de trabalho, sua experiência e inteligência,  deve estar aberto a inovação conceitual que surgem, tal como o ator em seu novo papel. Ele deve se permitir conhecer novidades, em termos metodológicos, e inovações no âmbito das técnicas e das ferramentas de apoio.

É de extremo valor para o profissional de gestão de projetos preservar o meio e não apenas o fim. Muitos gestores são lembrados, mais por terem conduzido adequadamente, as situações adversas de um projeto do que, propriamente, pelo resultado alcançado. Os resultados são importantes, mas não devem sobrepujar comportamentos e atitudes necessárias a lida com o ser humano, tão evidente na gestão de projetos. São inúmeros os projetos públicos e privados que, embora tenham entregado o resultado previsto originalmente, contabilizam inúmeras perdas: humanas materiais e financeiras. Saúde, relacionamentos, doenças ocupacionais, conhecimento e patrimônios são alguns dos ativos que nem sempre são lembrados e, menos ainda, cuidados durante o desenvolvimento de alguns projetos. Os fins não justificam tais meios. Os meios agregam valor, além de facilitar o reconhecimento dos fins, dos objetivos a serem atingidos.

Os resultados permanecem e, certamente, farão parte do portifólio de projetos do gestor, responsável por sua concretização. Portanto, embora os projetos sejam transitórios são finalizados, e seus resultados vêm sempre acompanhados do contexto que os gerou. Isto adjetiva, fortemente, a obra do gestor e o auxiliará a fortalecer suas bases para o futuro. Isto sim fará com que o gestor permaneça, com firmeza, por muito tempo e edifique todo seu crescimento com bons fundamentos.

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