Gestão das Promessas do Ano Novo

Este período de final de ano, festas, confraternizações é propício para que muitas promessas sejam feitas. Promessas de melhor organização, do programa de capacitação, da aquisição do software A ou B, do investimento ainda indefinido, da viagem técnica, da participação no congresso e outras tantas.

Em muitas empresas ainda é tempo de fazer ajustes no orçamento anual de modo a acomodar estas coisas. O fato é que muitas delas não passam de promessas que, via de regra, não são desenvolvidas em sua integralidade ou mesmo nunca serão cumpridas.
Uma pergunta que muitos gostariam de ver respondida é: o que fazer para garantir que estas promessas possam ser cumpridas ? O resultado positivo desta implementação é o aumento da credibilidade da gerência e uma maior satisfação dos colaboradores dentro da empresa, setor ou projeto. Vamos dar-lhes algumas pistas para que isto seja levado a termo.

Um dos fatores que auxilia a implementar a idéia é torná-la estratégica para a empresa. Em alguma medida os resultados da implementação da promessa feita devem ser traduzidos em resultados. Sabemos que estes resultados são variados. Alguns deles referem-se à capacitação dos recursos humanos, outros referem-se a modernização dos meios de trabalho, outros ainda a melhoria de processos que já estão em curso na organização. Seja qual for o resultado a ser obtido, o importante é identificarmos de que forma estes resultados colaboram com os desejos estratégicos da organização. Será importante saber se a contribuição permitirá um aumento da fatia de mercado, ou uma melhoria nas margens de contribuição dos produtos e serviços da empresa, quem sabe, uma melhoria na imagem da empresa. Sejam quais forem estes resultados, você deve agir prontamente para a identificação de sua contribuição marginal às estratégias da empresa. Feito isto, todas as contribuições marginais e diretas devem ser contabilizadas e este resultado deve ser vendido aos tomadores de decisão. É isto aí, você entendeu bem, estes dados não devem ser apenas informados a alta gerência eles devem ser, sim, vendidos a ela. Por melhores que possam ser os resultados esperados quando de sua implementação, o seu papel deve ser o de dourar a pílula se quiser ver a promessa “no ar”.

Uma ação importante está na identificação de eventuais interesses que os tomadores de decisão tenham nos resultados ou no desenvolvimento da promessa feita. Tais interesses podem se referir a benefícios financeiros ou econômicos que o tomador de decisão possa auferir, podem se relacionar a traços de vaidade pessoal ou profissional ou mesmo permitir que o decisor se sinta co-proprietário da idéia e que isto lhe agregue vantagens pessoais. Uma parte sensível dos interessados deve ser, sem sombra de dúvida, tocada.

Quando você estiver preparando-se para a venda interna, não se esqueça de levantar os possíveis projetos e ações já desenvolvidas na empresa e que tenham sido bem sucedidas e estabeleça uma ligação entre elas e a promessa que você deseja ver implementada. Esta identificação permitirá, em muitos casos justificar a importância de implantar a nova promessa Outras vezes, ela mostrará economias que poderão ser feitas à viabilização da promessa. São todos pequenos impulsionadores que o ajudarão a fortalecer a idéia de implementar o projeto e dar mais subsídios para a busca de apoio e para a liberação de recursos a sua execução.

A exeqüibilidade da promessa é algo que, em algum momento, será julgado. Assim, você não pode esquecer de dar uma estrutura a execução da promessa. Identificar o que deve ser feito, quem poderá fazê-lo, quando ficará pronto, algumas especificações que garantam não só a qualidade mas também que os resultados sejam completos. Estas informações darão estrutura a quem vier a advogar a favor da promessa de ano novo.

Você não pode querer parecer ser mais realista que o rei. Alguns riscos associados ao processo de realização da promessa devem ser identificados. Não basta uma lista deles. Você que deseja ver a promessa cumprida irá qualificar ou quantificar estes riscos. Assim, saber o quanto a execução da promessa  fica exposta aos riscos é fundamental. A probabilidade de ocorrência e o impacto destes riscos sobre os resultados são fatores importantes e que devem ser avaliados neste contexto. Ainda neste âmbito dos riscos, você deve estruturar as medidas que podem ser tomadas para lidar com eles. Elas devem ser previamente definidas e orçadas.

Ao desenvolver esta série de tarefas, você poderá estar mais tranqüilo com relação a necessidade, a retidão e as vantagens da implementação da promessa.
Isto que mencionamos é muito útil em projetos e ações empresariais que, nesta época do ano, seguem os mesmos modelos das promessas pessoais. Será que você poderia alcançar melhores resultados em suas promessas pessoais fazendo o mesmo para a sua vida ? Pense nisto e voltaremos a conversar sobre este assunto em breve.

Seja qual for a sua resposta, não fique de braços cruzados. Mãos-a-obra!

* Luís César de Moura Menezes é diretor da Síntese Consultoria e Gestão de Negócios

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