Visão Perspectiva através da Gestão de Projetos

A busca por resultados é uma necessidade cada vez maior e mais freqüente nas organizações. Sejam elas grandes ou pequenas,  elas só sobreviverão se bons resultados forem atingidos. Estes resultados devem permitir que as empresas se mantenham, acumulem riquezas, invistam, ampliem as suas operações e garantam a sua prosperidade no tempo.

Ao observarmos a história, vimos civilizações, impérios, governos e empresas se sucederem. Alguns mantém a liderança por mais tempo outros por menos tempo. O que faz com que um dia eles caiam? As respostas referem-se a distintos e variados pontos: ameaças de concorrentes, enfraquecimento de pontos fortes, falta de convergência e foco de ação, perda de mercado, falta de progresso do conhecimento ou mesmo algum desastre.
Estas ameaças estão presentes em qualquer dos sistemas mencionados. Aparentemente, elas estão cada dia mais presentes e a nossa atuação orientada, fazendo frente a todas estas demandas é vital. Muitas são as incertezas que experimentamos neste “posicionamento” só não podemos nos negar a trabalha-las.

Muito recentemente tive a oportunidade de estar em algumas cidades européias – e, de modo especial, em algumas cidades alemãs: Frankfurt, Nürnberg, Berlin. É impressionante verificar a pujança daquele país. Eles experimentaram várias sucessivas, recentes e grandes alterações de cenário: queda do império, 1ª. e 2ª. guerra mundial, divisão em duas Alemanhas, unificação, dentre outros desafios internos.
Certamente o efeito negativo destes fatos não foi previsto pelos seus protagonistas alemães – nem era o desejado por eles – entretanto, eles vieram e se efetivaram. Destruição, muitas baixas em vidas humanas, perda de patrimônio histórico, baixo moral na população, pobreza, doenças, fatores psicológicos e vários outros efeitos arrasadores.

Apesar de todas estas ocorrências é importante notarmos a força com a qual eles retornam após cada uma destas derrocadas. Não é a toa que são uma das maiores potências do mundo moderno.
Uma das suas grandes empreitadas atuais está na preparação para receber a Copa do Mundo de Futebol em 2006.

A capital do país, Berlin, com toda a sua beleza exuberante destes quase 800 anos de idade, parece um enorme canteiro de obras. Isto tudo acontece sem que a cidade perca o seu encanto como importante centro turístico, econômico e político europeu.
O que tudo isto tem a ver com a gestão de projetos ? É a capacidade de criar visão perspectiva que torna todo este conjunto de “construções” viável.

Será que estamos atuando desta forma em nossas companhias ? e em nossas vidas ?

Muitas vezes ficamos ao sabor das políticas, da economia, das pressões setoriais. Tudo o que tem de externo acaba servindo como “desculpa”, determina e escreve - com a sua caligrafia - o nosso futuro. Que tal pegarmos a rédea desta que é a “nossa” empreitada. Que tal escrevermos a nossa biografia com a nossa caligrafia. Inúmeras incertezas estarão se acercando de nós, a escassez de recursos e de tempo para a realização de tudo o que “gostaríamos” de fazer, o desconhecimento que fará empregarmos recursos de terceiros, as especificações que continuarão mal ou pouco definidas, a necessidade de conduzir boas comunicações serão alguns dos desafios que continuaremos a ter.

Estes desafios têm sido permanentes a estes intrépidos alemães que têm poucos meses para começarem a receber um exército de invasores estrangeiros, vindos de todos os continentes, em diversas de suas praças. Qual será a arma que eles dispõem ? Além de toda a simpatia e hospitalidade alemã, a gestão de projetos tem sido uma vigorosa e permanente companhia em seus empreendimentos. Aplicar conceitos, colocar a técnica em ação, tem sido um dos maiores aliados destes alemães nossos contemporâneos. É impressionante verificarmos a convergência das ações em diversos dos seus megaprojetos e as mínimas interferências que têm sido produzidas no ambiente.

Assim, a reconstrução de um país, sua estruturação para uma Copa do Mundo ou mesmo a preparação de sua organização precisam possuir um projeto que crie visão para o mais longo prazo. Este projeto será o sustentáculo para a alocação dos recursos – mesmo que limitados – para produzirem os resultados necessários a sua permanência no mercado, ao seu crescimento e a sua perpetuação.

Não é diferente quando falamos de projetos de vida, projetos de carreira. A coluna dorsal para eles deve estar respaldada por um projeto que, bem gerido, permitirá fazer frente a todas as intempéries - internas e externas – que surgirem.
Para que isto aconteça, não podemos ficar de braços cruzados. Mãos-a-obra!

* Luís César de Moura Menezes é diretor da Síntese Consultoria e Gestão de Negócios

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